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Viajante
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Autor Mensagem
Paulo Rodrigues



Registrado: Terça-Feira, 18 de Janeiro de 2005
Mensagens: 2585

MensagemEnviada: Ter Mai 25, 2010 8:08 pm    Assunto: Responder com Citação

Uma boa

http://www.timesonline.co.uk/tol/life_and_style/food_and_drink/article7128782.ece

Uma menos boa

http://www.independent.co.uk/life-style/food-and-drink/reviews/viajante-patriot-square-london-e2-1977325.html
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
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MensagemEnviada: Dom Mai 30, 2010 1:31 am    Assunto: Responder com Citação

Paulo

Ao ler a "menos boa" fiquei com a sensação que não era o tipo de restaurante nem comida da pessoa que fez a crítica. e nestas coisas de gostar ou não a comida é apenas um factor... o gosto e as referências de quem a consome são outra...

Como diz num relato no egullet
"The offering is new and relatively unique in london so it will intrigue many into giving it a go."
http://forums.egullet.org/index.php?/topic/133143-viajante/
será portanto um pouco mais difícil...
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Paulo Rodrigues



Registrado: Terça-Feira, 18 de Janeiro de 2005
Mensagens: 2585

MensagemEnviada: Dom Mai 30, 2010 7:00 pm    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Paulo

Ao ler a "menos boa" fiquei com a sensação que não era o tipo de restaurante nem comida da pessoa que fez a crítica. e nestas coisas de gostar ou não a comida é apenas um factor... o gosto e as referências de quem a consome são outra...

Como diz num relato no egullet
"The offering is new and relatively unique in london so it will intrigue many into giving it a go."
http://forums.egullet.org/index.php?/topic/133143-viajante/
será portanto um pouco mais difícil...


Eu fiquei com a mesma ideia.
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Miguel Gouveia



Registrado: Terça-Feira, 13 de Dezembro de 2005
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MensagemEnviada: Seg Jun 07, 2010 9:36 am    Assunto: Responder com Citação

Hoje na Decanter:

Restaurant review: Viajante
June 7, 2010
By Fiona Beckett

There are a number of reasons why you might not like Viajante, currently London's hippest - and most controversial - restaurant.

If you dislike not knowing what you're going to eat (there's no menu).

If you rail against small plates and the lack of 'proper' helpings.

If you worry if the chef is holding a pair of tweezers rather than a knife or a cleaver.

Or if you baulk at the thought of trekking out to a less salubrious part of the East End of London.

Even then it's worth putting aside your prejudices for Viajante - which means traveller in the chef Nuno Mendes' native Portuguese - is terrific.

Mendes is one of the new young Turks that have taken over the post Ferran Adria world - a contemporary of Rene Redzepi of Noma for a while at El Bulli and a habitué of avant-garde chef conferences such as the Omnivore New York this weekend.

After an uncertain start at Vivat Bacchus where his Adria-influenced brand molecular gastronomy was not particularly well-received he launched a cutting edge supper club The Loft Project and has now opened his own restaurant in the ground floor of what used to be Bethnal Green town hall and is now an arty boutique hotel.

If you can, book a ringside seat at one of the tables nearest the open-plan kitchen where you can watch Mendes and his young colleagues, tweezering, drizzling and squirting away plates of exquisitely beautiful food.

We opted for the short 3 course lunch menu (you can have six and up to twelve in the evening) but still had some extra 'amuses' sent out: a crostino of Romesco, olives, almonds and dehydrated sherry, a soy milk jelly with smoked aubergine consomme and smoked aubergine caviar and 'Thai explosion II' - a crisp little feuilleté sandwich filled with Thai spiced confit chicken.


These were followed by 'Textures of beetroot and crab, green apple and whipped goats curd' - a relatively straightforward dish that appeared and tasted much as it sounded, an extraordinary dish of lemon sole coated in roast yeast with mustard gnocchi and cauliflower purée which wasn't any easier to make sense of when I asked the waiter to repeat the description but tasted amazing and a stunning plate of chocolate desserts - a sorbet, a granita, a jelly and a dense chocolate sponge of an brownie-like in consistency broken into Noma-esque crumbs.

It went brilliantly well with a cup of Wuyi Dark Rock Tea, one of the intriguingly unorthodox 'beverage' pairings that you can order through the meal. (The beetroot was matched with Rodenbach Grand Cru and the sole with a light, lush 2007 Szepsy Furmint from Tokaj).

Service, performed by elegant thin young men in black is casual and friendly though I imagine might wobble in busier periods, the wine list won't thrill oenophiles but Mendes is undoubtedly a star in the making. Go while you can still book - there are only 40 seats.

Oh, and the easiest and cheapest way to get there is to take the Central Line to Bethnal Green and walk 6 minutes up the road.

Viajante
Patriot Square
London E2 9NF
020 7621 8791

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Quanto mais se prova, mais se aprende. Quanto mais se aprende, mais se quer provar.

Miguel Gouveia
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Spice Girl



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MensagemEnviada: Sáb Jun 26, 2010 2:23 pm    Assunto: Responder com Citação

Eu já lá fui. Very Happy Very Happy Very Happy
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Spice Girl



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MensagemEnviada: Dom Jun 27, 2010 12:33 am    Assunto: Responder com Citação

Tinha ido ao Bacchus num dos últimos dias em que esteve aberto e, desde que soube que o Viajante ia abrir, tinha planeado lá ir da primeira vez que fosse a Londres depois da abertura. Pensava ir só em Agosto, mas acabei por decidir dar um saltinho a Londres em Junho e... tinha que ser... fui almoçar. O jantar com um menu maior fica para Agosto (se bem que não me possa queixar da extensão do meu menu de almoço Laughing ).

Marcámos o almoço cedo. Chegámos uns minutos antes, ainda não estava ninguém no resturante e portanto tivemos direito a uma visita ao restaurante (incluindo as cozinhas que não estão à vista) e ao hotel guiada pelo Nuno Mendes. Gostei do hotel e tem uns espaços muito interessantes para eventos.

Quando começámos a almoçar ainda não havia ninguém no restaurante, calhou-nos uma mesa mesmo em frente à cozinha (que é verdadeiramente à vista, sem nenhuma separação da sala, a não ser uma bancada onde se preparam pratos. Não tirei fotos mas descobri a mesa numa foto na net. É a mesa redonda do lado esquerdo da foto:

http://londoneater.com/2010/06/01/viajante-tales-of-the-travelling-chef/
A sala é mais pequena do que tinha imaginado, tem outra a seguir, mais afastada da cozinha, mas dava quase a sensação de estar "em casa do Nuno". Tanto que na primeira parte do almoço a conversa fluía de um lado para o outro da bancada da cozinha. Depois começatam a chegar pessoas para outras mesas e "portei-me um bocadinho melhor".

Eu gosto muito da cozinha do Nuno, acho muito personalizada, parece-me reflectir muito da personalidade do Nuno e do seu percurso de vida. Tinha gostado muito no Bacchus (em particular da 2ª vez que lá fui) e gostei muito no Viajante.

Ao almoço há duas alternativas, um menu de 3 pratos (25£) e um de 6 (60£). Não estão descritos na lista, não temos nenhuma informação, apenas nos perguntam se não comemos algo.
Há ainda a hipótese de escolher o menu com wine pairing (15£ para o menu de 3 pratos ou 30 £ para o de 6) ou não.

Escolhi o menu de 6 pratos com wine pairing, mas ao chegar a casa e abrir o envelope que nos deram com o nosso menu, confirmei algo que suspeitava, que tinha comido um bocadinho mais do que seis pratos...

Já tinha lido bastante sobre o restaurante, tinha alguma idéia sobre o que ia comer, mas alguns dos pratos foram novos. E num dos amuse bouche foi mesmo uma estreia. Quando o empregado de mesa nos serviu disse que iamos ser os primeiros clientes a comê-lo. Very exciting! Laughing Faz-nos sentir um pouco especiais.

Comecemos então pelos amuse bouche, que não fazem parte dos 6 pratos, apesar de serem 5...

Aviso que não tomei notas nenhumas sobre as minhas impressões(apenas de alguns componentes, que depois de me darem o menu não tiveram utilidade) portanto os comentários vão todas de memória.

Crostini de romesco and gordal olives, almonds and Jerez
Muito bonito e colorido e sobretudo com uma grande intensidade de sabor.


Smokey Aubergine with soy milk
Pelo que li não agrada a todos, mas eu gostei muito. O leite de soja vem gelificado, com um sabor relativamente neutro e uma textura de gel suave, quase de pudim, por cima o consommé de beringela (que li ser feito com uma base de dashi, não sei se era, mas pensando nele a posteriori, pode ser) muito saboroso e gelificado também, mas com uma textura diferente. No centro um pouco de caviar de beringela e por cima entre duas camadas de massa filo um puré de beringela. Muito fresco, saboroso, com uma grande variedade de texturas. Gostei mesmo muito.

Embora diferente, sobretudo pelas texturas, fez-me lembrar outros pratos que tinha comido antes no Bacchus e de que tinha gostado muito também.


Grilled broad beans
Fomos as primeiras pessoas a comer este amuse bouche. Dentro da casca da fava vem um puré de favas, algumas favas e mais uns rebentos e queijo de S. Jorge.
A minha filha comentou que achava que não gostava de favas, mas tinha descoberto que se calhar gostava muito.

Muito original e muito bom.


Thai Explosion II
Tinha grandes expectativas em relação a este, tinha lido muitas referências muito positivas, e até algo entusiasmadas. As descrições despertavam a curiosidade, o nome "explosão" também era sugestivo... Gostei bastante, era muito bom, mas depois dos dois anteriores e com as expectativas com que estava não teve o mesmo impacto. Achei "mais normal" apesar de não ser nada normal... Laughing
Duas "bolachinhas" que de facto são pele de galinha muito estaladiça, entre elas uma mousse de galinha, lembro-me de haver um ovo e de o Nuno ter dito que o nome explosão vinha daí, da explosão da gema, mas aquilo era tão pequeno que parece quase milagre caber isso tudo lá dentro. O nome Thai justifica-se pelos aromas que nos levavam directamente para a cozinha tailandesa - muito orientais, exóticos e frescos.


Outra coisa de que tinha lido detalhadas descrições e por vezes grande entusiasmo era o pão e a manteiga. Chegaram após esta sequência amuses bouche.
O pão era excelente! Com uma enorme qualidade, morno, com a côdea estaladiça, muito bonito... e depois a forma que tem faz com que a textura vá variando à medida que comemos, no centro mais miolo, nas extremidades quase só côdea. Excelente pão. A manteiga é uma beurre noisette arrefecida e batida, fica portanto com um sabor bastante "nutty" e depois polvilhada com bocadinhos minúsculos de bacon e pele de galinha muito estaladiços e com um pó roxo feito de batatas roxas desidratadas e pulverizadas.


Ainda não tinham começado a chegar os pratos nem os vinho, a partir daqui é que iamos dar início ao nosso menu... a descrição fica para amanhã...


Só mais uma coisa... Quando fui ao Bacchus da última vez estavam dois jovens cozinheiros a estagiar lá. O Bernardo e o Tó Zé. Encontrei os dois desta vez a trabalhar no Viajante. Gostei de os ver, de ver a evolução também na forma de estar e falar, cresceram mesmo, e não só em idade. É de estar de olho neles porque prometem... O Bernardo disse-me que a seguir tem planeado um estágio no Japão e depois no Noma. O Tó Zé não me disse nada sobre planos futuros, mas foi ele que nos veio trazer alguns dos pratos à mesa e explicar em que consistiam.
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Spice Girl



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MensagemEnviada: Dom Jun 27, 2010 4:32 pm    Assunto: Responder com Citação

Ao ver o que se passava na cozinha, pecebi que ia ser a vez de um dos pratos mais aplaudidos do Viajante. Já tinha lido muito sobre ele e tinha uma enorme curiosidade em experimentar.

Squid tartare and pickled radishes, samphire and frozen squid ink jus
Vinho:
Standt Krems, "Looserterasen" Gruner Veltliner 2009, Austria

A lula crua cortada em quadradinhos minúsculos, uma enorme variedade de componentes com uma diversidade de sabores e texturas. Achei muito interessante o granizado de tinta da lula, muito saboroso e que contrastava em cor e temperatura.
Muito leve e fresco. Gostei muito.


Scallop, pickled cucumber and celery juice
Vinho:
Maculan "Pino and Tai" 2008, Italy
Não tinha visto nenhuma referência a este prato nos comentários que tinha lido. Vinha num recipiente arredondado, muito bonito criado por amigos do Nuno para o Viajante.
Vieiras, penso que cruas, cortadas em discos com cerca de 0,5 cm, discos com o centro do pepino e tirinhas da parte exterior em pickle. Uma espuma gelada que penso que o Nuno disse que era de umeshu (licor japonês). Na mesa deitavam no prato um caldo com sabor de aipo e mangericão, que o Nuno referiu ter uma componente láctica. Inicialmente notei mais uma componente verde, gorda, mas ao comer descobri uma fase aquosa branca por baixo.

Excelente!

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MensagemEnviada: Seg Jun 28, 2010 12:26 am    Assunto: Responder com Citação

Gostei muito dos dois pratos seguintes. Porque eram muito, muito bons, e ainda por outra razão. Em geral a carne ou o peixe desempenham um papel central, sendo os vegetais quase acessórios. Nos dois pratos seguintes o papel central era dos vegetais e era muitíssimo bem desempenhado.

Charred leeks and white asparagus, hazelnut and milk skin
vinho:
Carmen Puthod 2007, Italy

Também não tinha visto nenhuma referência a este prato no que tinha lido.
Pelo que entendi, o exterior dos alhos franceses tinha sido carbonizado, a parte exterior retirada e ficado só o interior que tinha ficado com sabor "fumado". Vinham acompanhados de espargos brancos, "pele de leite" (que já tinha comido no Bacchus, mas integrada numa sobremesa e gosto bastante) avelãs e uma maionese com cinzas do alho francês.
Uma grande variedade de texturas e sabores que sem serem muito fortes tinham uma complexidade muito interessante.
Adorei!



Textures of beetroot, green apple and whipped goats curd
acompanhado com cerveja:
Rodenbach Beer, Belgium
Bem, o prato era lindo! As cores brilhantes! E excelente! Muito bom! As várias formas e texturas da beterraba, as várias formas como tinha sido cozinhada (em pickle, assadae acho que um gel), a maçã, o "requeijão" de cabra. Gostei da combinação. Tinha visto referências a um prato idêntico, mas com caranguejo, mas gostei dele assim - "soa-me" melhor.
Outra coisa de que gostei, foi não ser acompanhado com vinho. Gostei muito da escolha da cerveja. Há mais bebidas para além do vinho... e gosto muito quando são consideradas.

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MensagemEnviada: Seg Jun 28, 2010 5:57 pm    Assunto: Responder com Citação

A azáfama na cozinha continuava...


e os pratos que se seguiram foram:
King crab with chicken jus and spicy paste
vinho:
Domaine Trapet "Beblenheim" 2006 France
Mas um prato muito leve, a pasta picante dava-lhe graça e realçava sabores. Gostei da ligação com o caldo.
Esta foi a única das ligações com o vinho que não tenho a certeza se funcionou. Acho que teria preferido um vinho menos floral/frutado.



Lemon sole, confit egg, asparagus and tapioca
vinho:
Felton Road Von Gris 2006, NZ

A tapioca vinha num caldo aromatizado com coco, limão e mangericão.
Foi injusto para este prato vir depois de todos os anteriores. Era um prato bom, mas... eu tinha gostado muito dos outros... e por comparação gostei menos deste. Talvez o linguado estivesse um bocadinho cozido demais para o meu gosto, eu gosto do peixe com um ponto de cozedura quase perto do cru... Talvez os sabores não fossem tão frescos e vibrantes também, talvez a combinação das duas coisas... Um prato bom, mas que perdeu por vir depois dos outros.



Pigs neck with prawn and rye
vinho:
Quinta da Chocapalha 2007, Portugal
O único prato de carne, o único vinho tinto, o único vinho português. Um prato com a ligação terra e mar, de que o Nuno gosta certamente pois já tinha estado presente noutro menu no Bacchus (a ligação, não o prato). O prato em que se notava mais uma influência dos nossos sabores. Talvez por isso tenha "soado" mais familiar e não tenha deixado uma marca tão forte como outros anteriores. Uma versão um pouco diferente de outras que vi descritas.
O cachaço de porco cozinhado a baixa temperatura com uma óptima textura - muito suculento e saboroso. A ligação terra e mar funcionava muito bem.
Os cubinhos de pão de centeio, húmidos, lembravam uma açorda. A espuma era do pão aromatizada com alcaravia (uma especiaria muito ligada à carne e pão de centeio na europa central). Não me consigo lembrar o aroma do molho verde... seria couve, agrião?


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Spice Girl



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MensagemEnviada: Ter Jun 29, 2010 5:03 pm    Assunto: Responder com Citação

E tinha chegado a altura de fazer a ponte para a outra margem, ou seja, para o mundo dos doces. Talvez por ser uma "ponte" me esqueci da foto e tive que roubar uma daqui:
http://felixhirsch.wordpress.com/2010/05/15/viajante-london/

Lemon and Thai Basil
Um sorvete com um sabor muito forte, muito a limão e ervas. Lembro-me que notei um sabor que diria ser anisado - o pó que está por cima? será?


Veio então a sobremesa

Dark Chocolate and Water
vinho:
Maculan "Torcolato" 2006, Italy
A minha filha é muito esquisita com as sobremesas, e aproximando-se a hora, começa a ficar preocupada. Quando acabei o gelado anterior, de repente aparece-me outro inteiro à frente e a tigela do dela subitamente ficou vazia. Laughing Mas fui-a acalmando... ela gosta de chocolate e eu tinha quase a certeza que a sobremesa era de chocolate. Não sobrou nada no prato dela... o que significa que gostou. Laughing Laughing
Eu também gostei. Não sou já capaz de descrever com muito detalhe, alguém o descreveu já como tendo 7 componentes de chocolate diferente... mas era um óptimo sorvete de chocolate, em cima de umas migalhas (uma palavra tão bonita! Very Happy )de bolo de chocolate (mais do que um diferente), uma mousse (só chocolate ou praliné? tenho dúvidas), um gel e um granizado de água de chocolate. Era muito bom, não muito doce, o sabor dominante era o chocolate, mas as diferentes texturas e temperaturas não deixavam que fosse exageradamente dominante. Só tive pena de uma coisa, achei que o granizado de água de chocolate sabia pouco a chocolate. Não sei como se faz para saber mais, mas eu gostava que tivesse um sabor mais forte.

E finalmente com o chá vieram os Petit Fours.
O Nuno quando os trouxe disse, isto foi a única coisa que passou do Bacchus para aqui. Eu gostei... primeiro porque tinha gostado deles lá, depois porque de certa forma fizeram a ponte com uma experiência (boa) anterior.
Eu já li comentários de pessoas que não gostam destas trufas... como é possível! Shocked Um interior supercremoso com um forte (fortíssimo) sabor a cogumelos porcinni, cobertas de chocolate (felizmente a minha filha não tinha gostado da outra vez e nem provou e eu comi duas). Very Happy Laughing umas gomas de limão (acho), e uma crema catalana.


Se gostei? Já deu para ver que sim... e nem me vou cansar a escrever mais. Alguém já escreveu aqui(http://ouichef1.blogspot.com/2010/06/viajante-bethnal-green.html) algo que eu poderia escrever também:
Citação:
All in all, our meal at Viajante was superb - I realise this post has almost become an 'ode to Viajante' and in my book, it deserves it. It was one of the best meals I've had in a long time. It was fun, innovative, interesting, and nothing at all like anything anyone else is doing in London right now. Above all everything was delicious...


É muito agradável a proximidade da cozinha. Como já disse algumas vezes não gosto muito de cozinhas à vista, já me calhou vezes demais ter que assisitir à limpeza e sinceramente... não me apetecia... Neste caso a cozinha à vista é tão próxima, estamos quase lá dentro, mas mais do que isso... frequentemente é o Nuno ou outro cozinheiro que vêm trazer a comida e dar dois dedos de conversa, de uma forma tão informal que ainda dá mais a sensação de sermos visitas... e a interacção torna-se diferente e uma mais valia. Eu conhecia o Nuno, mas nas outras mesas aconteceu exactamente o mesmo.

Tenho visto algumas "queixas" relativamente ao serviço. Connosco correu tudo bem. Pode ser mais complicado com a sala cheia (e parece que aos jantares tem estado quase sempre). O detalhe que exigem todos os pratos também certamente podem complicar o ritmo à noite. Mas não sei... não estive à noite. Daqui por uns tempos conto...
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Abílio Neto



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MensagemEnviada: Qua Jun 30, 2010 11:26 am    Assunto: Responder com Citação

Spice,

Obrigado! Até o preço convida.
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Abraços,

Abílio Neto
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MensagemEnviada: Seg Jul 19, 2010 1:08 pm    Assunto: Responder com Citação

A Alexandra forbes escreveu sobre a ida ao Viajante na altura da divulgação dos 50Melhores Restaurantes.

http://viajeaqui.abril.com.br/blog/boa-vida/viajante-restaurante-hype-em-londres-do-chef-portugues-nuno-mendes/
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Abílio Neto



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MensagemEnviada: Qua Set 29, 2010 10:41 am    Assunto: Responder com Citação

Caros,

E outra boa (os espanhóis a ligarem o fenómeno ao Adrià, claro!):

http://www.elconfidencial.com/tendencias/bulli-londres-discipulo-adria-20100811-4173.html

Outra curiosidade, por ser falada aqui (muito) ultimamente, cito do artigo:

Citação:
el portugués se identifica con Tony Flinn, del restaurante "Anthony's"

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Abraços,

Abílio Neto
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MensagemEnviada: Dom Fev 20, 2011 4:50 am    Assunto: Responder com Citação

Poucos dias antes de saber que o Viajante tinha ganho uma estrela Michelin tinha marcado uma mesa. Uma estrela mais que merecida… o jantar que lá tive há poucos dias foi excelente.


Começámos com uns cocktails, este foi o meu preferido, pelo sabor e pela originalidade do “copo”. Pesquisas na net levaram-me a descobrir que se chama Buffalo Jam e a composição é “bourbon, Borojoa jam, lemon and soda”.


O couvert foi
Thai explosion II
que já lá tinha comido antes. Desta vez achei ainda melhor, com um sabor bem mais “explosivo”. Uma sandes de pele de galinha muito estaladiça, um recheio que penso ser uma mousse de galinha com fortes aromas que associamos à cozinha tailandesa e no interior uma gema (imagino que de ovo de codorniz, pelo tamanho)


Bread and butter

Duas manteigas diferentes. Brown butter batida e polvilhada com bacon e pele de galinha muito estaladiços e com um pó feito de batatas roxas , a outra era a mesma manteiga, mas misturada com black pudding. Um excelente pão, lindo, muito estaladiço por fora, muito macio por dentro..

Acho interessantes as manteigas, mas comendo pouquinho, com o sabor da manteiga queimada fica mais enjoativa do que uma manteiga normal.

Seguiu-se:

Scallops with carrot, mustard and watercress
Vieiras, cenouras várias, umas em pickles (a amarela), um consome de cenoura com azeite de agrião e um pó, gelado, de creme fraiche, buttermilk e mostarda.

Muito interessante a forma como as cenouras aqui entravam em várias componentes com vários sabores e texturas. Muito bem combinado com as vieiras. A componente láctea, ácida, sob a forma de um pó gelado que quase desaparecia na boca e se ia misturando com o caldo também era muito interessante. Gostei muito.


Squid and ink with pickled radishes and sunflower seeds

Embora não surja no nome, eu anotei que tinha razor clams (lingueirão) também e aipo.
Muito bom!
Servido com Niepoort Navazos 2008


Charred leeks, milk skin and leek ash emulsion

Além do coração de alho francês queimado e da emulsão de cinzas tinha ainda avelã e um caldo de galinha e, claro, a pele de leite que com o seu sabor suave, contrabalança o sabor fumado dominante no prato.


Langoustine cooked over rosemary and lardo
Cogumelos enoki desidratados, sobre eles os lagostins com um sabor levemente fumado do alecrim e ainda cogumelos enoki fumados e sobre eles fatias finíssimas de lardo de colonata que se desfazia na boca.
Um prato bem diferente, muito original, uma mistura que para mim resultava muito bem .
Foi servido com um sake - Ichiro Dewazakura – com aromas florais e a pêssego muito delicados. Uma excelente combinação.


Duck heart with tongues, pine and hazelnut

Os corações de pato levemente escalfados, aipo-rábano assados, nozes e óleo de pinhão.
Corações de pato, um ingrediente pouco habitual, cozinhado com uma textura óptima. Interessante a inclusão nestes menus destes ingredientes que antes não apareciam. Ainda mais interessante o desenvolvimento de formas de os cozinhar que lhes conferem uma óptima textura e sabor.


Braised salmon skin and fried aubergine
Vinha a pele de salmão com o salmão cozinhado a baixa temperatura, ovas de salmão e um puré de beringelas frito servido com um dashi com um pouco de molho de soja e enokis
Um prato com uma componente umami muito forte. Muito bom.
Foi servido com López de Heredia “Viña Tondonia” Rosado 2000, Rioja um rosé pouco habitual, gostei muito.


Lobster, potato, confit egg yolk and saffron

Lâminas muito finas de batata, cozinhadas num fumet de peixe com açafrão, mas levemente rijas, por baixo delas a lagosta escalfada, gema de ovo quase crua.
Um conjunto de texturas interessante, a lagosta, a batata, a cremosidade do ovo, o fumet que acabavam por se combinar quando a gema se rompia.… A lagosta estava um pouquinho salgada, mas apesar disso, muito bom! Também um prato muito original.



Seabass toast, garlic kale and S. Jorge

Um filete de robalo a que tiraram a pele e substituiram por uma fina camada pão. Queijo de S. Jorge, presunto ibérico, molho de couve e alhos, rodelas de chalotas .
A maior parte das pessoas gostou muito deste prato, mas não foi dos meus favoritos . Não tenho a certeza que o peixe não fique um bocadinho perdido no meio de sabores tão fortes.


Roasted squab with beetroot and pistachio
Pombo com beterrabas (umas vermelho escuro, outras amarelas), espuma de beterraba com iogurte, pistáchios torrados e um molho do pombo e de beterraba.
Cada vez gosto mais de beterraba e gostei muito deste prato que foi servido com:
Domaine Masonneuve Cosse “Abstémes s’Abstenir” 2008 (um vinho biodinâmico)


Chegou então a pré sobremesa para fazer a transição entre o salgado e o doce…
Frozen maple pannacotta and shiso granite with green apple
Muito refrescante!


Quando trouxeram a primeira sobremesa, disseram que não nos diziam o que era e depois de comermos vinham perguntar, éramos nós que tinhamos que descobrir. E com um palpite daqui e outro dali… descobrimos quase tudo!
Parsnips with black olives, tapioca and coffee
Cherovias enroladas sobre um crème de baunilha, polvilhadas com um pó feito de azeitonas e café, depois punham a tapioca quente, esta tinha sido cozinhada num xarope de cerveja.
É raro as sobremesas estarem à altura do resto. Esta estava! Uma sobremesa excelente!



Sea buckthorn with burnt meringue and yoghurt sorbet

Sea buckthorn são uma bagas laranja de que nunca tinha ouvido falar, e que vim a comer de novo, numa forma bem diferente, noutro jantar 3 dias depois… coincidências... Very Happy
O creme laranja é feito com estas bagas, tem depois um gelado de iogurte, um merengue e tudo é polvilhado com ginger bread
Muito fresco também e muito bom.
Servida com Mounthorrocks “Cordon Cut” Riesling 2009, Clare


Vieram depois os Petit fours já habituais - já vieram do Bacchus Very Happy
Crema catalana, a trufa de boletus com chocolate e uma goma de tangerina.


Aqui está parte da cozinha, com o Nuno Mendes a gerir o serviço, numa noite de muito movimento.


Uma excelente refeição!

Um jantar longo... quase 5 horas mas tudo a um bom ritmo)! Uma grande variedade de pratos, alguns muito originais. Formas muito interessantes de trabalhar os legumes. Muita leveza, mas sabores fortes, bem definidos.

Um bom serviço e muito simpático, muita paciência para nos explicarem tudo as vezes necessárias, apesar da sala estar muito cheia (com mais uma mesa de portugueses).

Gostámos muito.

(As fotos desta vez não são minhas. Obrigada Joana Very Happy )
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miguel laffan



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MensagemEnviada: Dom Fev 20, 2011 1:32 pm    Assunto: Responder com Citação

Bom domingo a todos,

Já algum tempo que ando a tentar arranjar uma solução para diminuir ou retirar o pão do inicio da refeição a ideia é o seguinte muitas vezes já chegamos ao restaurante com fome e encontramos no pão o preenchimento desse vazio que acaba muitas vezes por sabotar a refeição.
Agora deparo me com dois problemas o cultural e o real gosto pelo pão, acho que encontrei a solução no Nuno Mendes achei brilhante a ideia de acalmar os mais “ansiosos “com algum mais leve e provocativo saciando e abrindo os sentidos ao mesmo tempo sem se ter que abdicar do nosso tão querido pão… mas tudo a seu tempo.

cumpts.

ML
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