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Não entra, não come, não escreve e lá se vai o anonimato
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
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MensagemEnviada: Dom Jan 02, 2011 9:32 pm    Assunto: Não entra, não come, não escreve e lá se vai o anonimato Responder com Citação


Não entra, não come, não escreve e lá se vai o anonimato


É o nome de um post do Mesa Marcada:

http://mesamarcada.blogs.sapo.pt/344403.html

Um assunto bem interessante e com uma série de aspectos que podem suscitar uma boa discussão.
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alentejano



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MensagemEnviada: Dom Jan 02, 2011 10:59 pm    Assunto: Responder com Citação

Estou de acordo... como um produtor de vinho que não quer que o seu vinho seja revisto por determinado crítico não envia amostras, nesse caso se o restaurante não se revê na pessoa que critica só tem de fazer o indicado... e sempre se poupavam algumas das baboseiras que se vão lendo em determinados papelinhos.
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mlpaiva



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MensagemEnviada: Dom Jan 02, 2011 11:26 pm    Assunto: Responder com Citação

alentejano escreveu:
Estou de acordo... como um produtor de vinho que não quer que o seu vinho seja revisto por determinado crítico não envia amostras, nesse caso se o restaurante não se revê na pessoa que critica só tem de fazer o indicado... e sempre se poupavam algumas das baboseiras que se vão lendo em determinados papelinhos.

E se um fórum não se revir num seu forista? Rolling Eyes

PS: Incluso, já estou a ver que também és adepto das cuvées des jornalistes... ou crente da crítica pro bono... Cool
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alentejano



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MensagemEnviada: Seg Jan 03, 2011 3:20 am    Assunto: Responder com Citação

A ver pelo ar agreste com que me deparo na grande maioria das vezes que os visito ... acho é que os foristas não se andam a rever nos fóruns.

Cuvées des jornalistes assim nos últimos tempos só me lembro de ter provado um, o Equinócio branco do João Afonso.

Quanto ao Bono... nunca gostei de U2

Feliz 2011 cheio de felicidade e coiso...
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Rick



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MensagemEnviada: Ter Jan 04, 2011 9:17 pm    Assunto: Responder com Citação

Esse artigo é interessante e revelou uma série de dúvidas que eu mesmo tinha a respeito de direitos e deveres dos restaurantes e seus clientes. Desconheço os aspectos legais dos EUA, mas aqui no Brasil um estabelecimento privado "aberto ao público" tem todo direito de estabelecer regras e normas internas para a "fruição dos serviços", dentre os quais: horários de funcionamento, meios de pagamento, obrigação de reserva, vestimenta etc.

Contudo, é prática ilegal e abusiva a recusa a prestação de serviço por motivos desarrazoados ou que revelem discriminação. No caso da Irene Virbila, que pela descrição fez a reserva, o sócio do restaurante exagerou na dose, provocando constrangimentos sem motivos. Não se pode negar o serviço ao cliente por ser jornalista ou médico, branco ou preto, pobre ou rico. Do mesmo modo, não compete ao restaurante julgar o que o cliente vai fazer após a refeição (digerir, expelir, escrever uma crítica ...) e, por tal motivo, recusar o serviço e expulsá-lo do restaurante.

No país da liberdade de expressão e de imprensa, o argumento do restauranteur reflete a mais pura e completa ignorância das leis, dos bons modos e do próprio país em que vive. Se um punhado de jornalistas revelou ao mundo as falcatruas do Watergate, que ajudou a derrubar Nixon, que dizer de um restaurante? Não será a crítica da Virbila, mas a própria comida que poderá enterrar o estabelecimento. Li e reli alguns comentários espalhados na web sobre a bravata do Red Medicine. Convenhamos, todos aqui tem amigos que são ou foram chefs/donos de restaurante. É uma atividade dura, laborosa e que merece a mais alta comenda a quem sabe lidar. Mas essa atitude do sócio ajudou a cativar algum cliente? Alguém por acaso estaria disposto a comer no Red Medicine exclusivamente porque o seu dono um dia atacou a crítica cruel do LA Times? Bobagem.
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
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MensagemEnviada: Qua Jan 05, 2011 4:19 pm    Assunto: Responder com Citação

Rick escreveu:
Esse artigo é interessante e revelou uma série de dúvidas que eu mesmo tinha a respeito de direitos e deveres dos restaurantes e seus clientes. Desconheço os aspectos legais dos EUA, mas aqui no Brasil um estabelecimento privado "aberto ao público" tem todo direito de estabelecer regras e normas internas para a "fruição dos serviços", dentre os quais: horários de funcionamento, meios de pagamento, obrigação de reserva, vestimenta etc.

Contudo, é prática ilegal e abusiva a recusa a prestação de serviço por motivos desarrazoados ou que revelem discriminação. No caso da Irene Virbila, que pela descrição fez a reserva, o sócio do restaurante exagerou na dose, provocando constrangimentos sem motivos. Não se pode negar o serviço ao cliente por ser jornalista ou médico, branco ou preto, pobre ou rico. Do mesmo modo, não compete ao restaurante julgar o que o cliente vai fazer após a refeição (digerir, expelir, escrever uma crítica ...) e, por tal motivo, recusar o serviço e expulsá-lo do restaurante.

No país da liberdade de expressão e de imprensa, o argumento do restauranteur reflete a mais pura e completa ignorância das leis, dos bons modos e do próprio país em que vive. Se um punhado de jornalistas revelou ao mundo as falcatruas do Watergate, que ajudou a derrubar Nixon, que dizer de um restaurante? Não será a crítica da Virbila, mas a própria comida que poderá enterrar o estabelecimento. Li e reli alguns comentários espalhados na web sobre a bravata do Red Medicine. Convenhamos, todos aqui tem amigos que são ou foram chefs/donos de restaurante. É uma atividade dura, laborosa e que merece a mais alta comenda a quem sabe lidar. Mas essa atitude do sócio ajudou a cativar algum cliente? Alguém por acaso estaria disposto a comer no Red Medicine exclusivamente porque o seu dono um dia atacou a crítica cruel do LA Times? Bobagem.


Um crítico que vai em trabalho não é um cliente normal.

Não tem um restaurante o direito de dizer que não quer que o crítico escreva sobre ele se não gosta / concorda com o estilo e padrões do crítico?

Não discuto métodos.


Citação:
No país da liberdade de expressão e de imprensa...


E essa liberdade de expressão não se deve também aplicar aos restaurantes?

Eu acho que os direitos devem ser iguais e que o crítico não pode ter a faca e o queijo na mão e o restaurante não pode, nem deve, comer e calar sempre (porque o crítico tem a faca e o queijo na mão).


Eu sou professora e acho que os meus alunos têm direito a saber porque foram classificados de uma dada forma e inclusivamente a recusarem-se a ser avaliados por mim se houver uma razão para isso (nunca aconteceu).

Não há vacas sagradas. A liberdade de expressão é para todos. É preciso é saber usá-la. Mas isto também é para todos...

Há uma pessoa que escreveu algumas vezes neste forum que um dia me mandou uma mp com alguma agressividade e com alguns comentários menos positivos sobre algumas coisas. Na altura eu achei que não havia justificação. Expliquei as minhas razões. Trocámos algumas mps. Penso que a pessoa aceitou algumas das minhas razões e compreendeu algumas coisas. Devo dizer que esta atitude fez com que eu a admirasse (admire) muito. Pela coragem, pela franqueza... Hoje encontramo-nos de vez em quando e acho que o respeito e a admiração que existe se deve bastante a isso.

Na minha forma de ver o mundo as coisas só funcionam se não se ficar com "coisas atravessadas"... e os direitos e a liberdade de expressão são para todos.

E para os restaurantes também. Eles têm deveres e direitos e os críticos não têm só direitos e a faca e o queijo na mão para usar como lhes aprover. Têm deveres. Muitos... e às vezes alguns esquecem-se...


Citação:
Mas essa atitude do sócio ajudou a cativar algum cliente? Alguém por acaso estaria disposto a comer no Red Medicine exclusivamente porque o seu dono um dia atacou a crítica cruel do LA Times?


Se o que dizem sobre o trabalho da dita crítica é verdade. Se eu achasse o mesmo, pode ter a certeza que me cativava. Porque admiro que tenham reagido e não tenham "comido e calado".
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João Geirinhas



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MensagemEnviada: Qua Jan 05, 2011 5:39 pm    Assunto: Não entra, não come, não escreve... Responder com Citação

Peço desculpa pela intromissão em forum alheio mas às vezes leio coisas que me fazem abrir a boca de espanto que não consigo calar-me.

Sobretudo quando vêm de pessoas que me habituei a respeitar.

Spice Girl escreveu:
Um crítico que vai em trabalho não é um cliente normal.

Não tem um restaurante o direito de dizer que não quer que o crítico escreva sobre ele se não gosta / concorda com o estilo e padrões do crítico?



Não, não tem! Era o que mais faltava!
Triste mundo este em que até isto se põe isto em causa.

Quem tem um restaurante aberto ao público, quem expõe numa galeria, quem escreve um romance, quem faz um discurso, sujeita-se naturalmente ao escrutínio de quem come, de quem vê, de quem lê ou de quem ouve. E se é normal que tenha o seu grupo de admiradores que o incensam por todo o lado, é natural que tenha também os seus críticos. A crítica livre, mesmo que eventualmente injusta, é um exercício indispensável em qualquer sociedade democrática que se preza. Salvaguardando os casos de ofensas pessoais e insultos gratuitos (em que há meios próprios para resolver o assunto), a critica sobretudo quando acutilante é o melhor indicador da saúde de uma sociedade.

Subjacente a isto está a ideia que o leitor é um ser infantil que se deixa facilmente influenciar por uma eventual critica negativa e que haverá sempre alguém (censura prévia?) a quem competirá velar pelo equlíbrio das coisas, pela razoabilidade, pelo bem senso. É um quadro mental que defende os paninhos quentes, a cumplicidade corporativa e que é afinal ainda um resquício da mentalidade salazarista que nos moldou durante tantos anos.

Já escrevi noutro lado que em Portugal esta atitude do restaurante em recusar a entrada de um cliente - critico ou não - não era de todo possivel e ainda bem. O restaurante pode não convidar o jornal ou o critico para uma apresentação à imprensa, por exemplo, - está no seu direito. Pode não permitir a visita aos bastidores, a tomada de fotos, o uso de qualquer regalia. Mas nunca poderá probir ninguém de entrar, pagar e portar-se como um cliente sob o pretexto de "possivelmente não vou gostar do você vai escrever".
Isto parece-me tão óbvio que até me custa que não seja consensual entre pessoas livres.


Editado pela última vez por João Geirinhas em Qua Jan 05, 2011 7:35 pm, num total de 1 vez
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Spice Girl



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MensagemEnviada: Qua Jan 05, 2011 5:56 pm    Assunto: Responder com Citação

Eu acho que é normal que entre pessoas livres um restaurantre diga - Não quero uma crítica feita por si. O crítico pode escrever isto. Aparentemente foi mais falado até do que qualquer crítica boa ou má que tivesse sido feita.

O comentário do restaurante foi este (dos links que o Miguel Pires pôs, não tive tempo de ler mais nada.

Citação:
Some conversation ensued, but they left. We didn't want her reviewing us, and we wanted anyone else she is going to review to have the benefit of knowing what she looks like, as we feel that her rating system isn't consistent and some of her reviews are unnecessarily harsh, which unfairly punishes the staff. A number of people in this city have been fired because of bad reviews (not officially of course), many of which were completely irrational.


Não sei se eles se recusaraqm a servi-la, não é claro. Tiraram-lhe uma fotografia, houve alguma troca de palavras e o que é dito aqui é que eles saíram... Não percebi mais. Não discuto o método usado.

Discuto o direito que um restaurante tem de dizer que não quer ser avaliado por uma dada pessoa. Eles não consideram a crítica dela consistente e acham-na injustamente dura. Estão no seu direito de não quererem uma crítica feita por alguém com cujos padrões não concordam. O jormal escolherá dizer que foi impedido por eles, ou não... de descrever o que se passou.

É o que eu considero correcto, mas aceito que existam outras opiniões.


Citação:
Peço desculpa pela intromissão em forum alheio mas às vezes leio coisas que me fazem abrir a boca de espanto que não consigo calar-me.


O forum é de todos os seus membros, o João é um deles, não vejo porquê "seara alheia".

É sempre bem vindo.
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João Geirinhas



Registrado: Quinta-Feira, 13 de Março de 2003
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MensagemEnviada: Qua Jan 05, 2011 6:19 pm    Assunto: Não entra, não come, não escreve... Responder com Citação

Não podemos estar de acordo.

Não acho nada normal.
Como não achava se fosse um seu aluno a recusar-se a ser avaliado por si. Ou um politico dissesse que determinado jornalista não podia escrever sobre ele. Ou um cantor proibisse que fulano por ser fan de outra banda fosse assistir ao seu concerto, ou...

Quem se expõe ao público está sempre sujeito a opiniões, para o bem e para o mal. E os restaurantes e os chefes não se regem por nenhum direito divino acima das criticas.
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Zé Carlos



Registrado: Terça-Feira, 23 de Março de 2010
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MensagemEnviada: Qua Jan 05, 2011 6:55 pm    Assunto: Re: Não entra, não come, não escreve... Responder com Citação

João Geirinhas escreveu:
Peço desculpa pela intromissão em forum alheio mas às vezes leio coisas que me fazem abrir a boca de espanto que não consigo calar-me.



Só ás vezes ? Eu muito, por aqui e não só. E com frequência, por aqui e não só, muitos querem calar-me.

João Geirinhas escreveu:

Quem tem um restaurante aberto ao público, quem expõe numa galeria, quem escreve um romance, quem faz um discurso, sujeita-se naturalmente ao escrutínio de quem come, de quem vê, de quem lê ou de quem ouve.


ABSOLUTAMENTE. E quem tem uma revista, idem. Muito frequentemente o pessoal da imprensa, sobretudo quando sobrevive algum tempo julga-se acima de tudo, nomeadamente da crítica.

João Geirinhas escreveu:
Salvaguardando os casos de ofensas pessoais e insultos gratuitos (em que há meios próprios para resolver o assunto), a critica sobretudo quando acutilante é o melhor indicador da saúde de uma sociedade.


SALVÉ ! SALVÉ!

Finalmente depois de tanto tempo subscrevo tudo quando diz.


João Geirinhas escreveu:
É um quadro mental que defende os paninhos quentes, a cumplicidade corporativa e que é afinal ainda um resquício da mentalidade salazarista que nos moldou durante tantos anos.



O velho de Santa Comba Dão paga sempre as favas coitado.

È da natureza lusitana a renúncia ao confronto, a fuga do preço a pagar pela frontalidade, pela exigência, sobretudo daqueles que tem mais acesso ao poder e à influência.

Afinal recordo-me agora que foi o prezado João Geirinhas que fugiu com o rabo à seringa quando lhe fiz a sugestão de ter uma lista negra de restaurantes que tratam mal o vinho.

Será que o fantasma do Salazar ainda anda pela RV ?
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Editado pela última vez por Zé Carlos em Qua Jan 05, 2011 7:27 pm, num total de 1 vez
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Zé Carlos



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MensagemEnviada: Qua Jan 05, 2011 7:19 pm    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Eu acho que é normal que entre pessoas livres um restaurantre diga - Não quero uma crítica feita por si.


Isso não tem nada a ver com liberdade. Antes pelo contrário, tem a ver com a restrição da liberdade de imprensa.

No fundo o que esse restaurante queria mesmo era um regresso aos anos de chumbo de Oliveira Salazar. Poder calar quem na faz parte do clã.

O crítico não é mais do que o representante de um orgão da imprensa no limite, o representante dos leitores que se identificam com ele e o lêem no jornal ou na revista.

Os críticos também estão sujeitos ao escrutínio do seu público. Se ele só disser disparates, mais cedo ou mais tarde ninguém o lê.

A vida não é fácil e as injustiças fazem parte dela. Deixe-mo-nos pois de tretas.

Como dizia o saudoso chef alemão de origem russa Viktor Von Rogoschin ; QUEM TEM COMPETÊNCIA SEMPRE SE ESTABELECE.

O resto é espuma.
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JL Lobo



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MensagemEnviada: Qua Jan 05, 2011 7:28 pm    Assunto: Re: Não entra, não come, não escreve... Responder com Citação

João Geirinhas escreveu:
... Já escrevi noutro lado que em Portugal esta atitude do restaurante em recusar a entrada de um cliente - critico ou não - não era de todo possivel e ainda bem. O restaurante pode não convidar o jornal ou o critico para uma apresentação à imprensa, por exemplo, - está no seu direito. Pode não permitir a visita aos bastidores, a tomada de fotos, o uso de qualquer regalia. Mas nunca poderá probir ninguém de entrar, pagar e portar-se como um cliente sob o pretexto de "possivelmente não vou gostar do você vai escrever".
Isto parece-me tão óbvio que até me custa que não seja concensual entre pessoas livres.




Olhe que não ... olhe que não!

Possível é ... poder proíbir, também pode. Pode é não ser legal nos dias de hoje.

Mas dizem que o famoso "reservado o direito à admissão" acabou porque, entre outras coisas e de acordo com algumas sumidades, viola a Constituição ao ir de encontro ao célebre "Princípio da Igualdade". Mas todos sabemos que interpretações de leis há milhares.

Mas esse mesmo Princípio andava a ser ignorado pela Crítica em causa. Como muitos Jornalistas incautos ou menos sérios, ela devia achar-se Deus na Terra. E os Hoteleiros andavam-lhe com medo. Até aparecer este.

O Hoteleiro declara: "her rating system isn't consistent and some of her reviews are unnecessarily harsh, which unfairly punishes the staff. A number of people in this city have been fired because of bad reviews (not officially of course), many of which were completely irrational."


Ele lá saberá do que fala. E como a "casinha" é dele, ele não vai permitir que brinquem com "ela" e com o seu pessoal.

Parece-me certa a posição dele.

Quem não concordar com isto, em Portugal, dirige-se aos Tribunais a invocar o desrespeito pela Constituição. É mais fácil para o hoteleiro isso do que ter de ir ele a Tribunal, para exigir justificações ao Jornal ou Revista depois de o mal já estar feito.

E assim fica tudo legalmente resolvido. Se ele for condenado depois de o caso fazer todo o percurso ascendente até ao Tribunal Constitucional, isto é, passados 25 anos, ele assumirá, certamente, as suas responsabilidades. Se a 1.ª instância mandar o caso directamente para o Constitucional, mais rápida será resolvida a querela.

E aí, só aí, se saberá se ele podia ou não proíbir que servissem o Crítico. Porque ser possível, isso sê-lo-á sempre e com relativa facilidade. De preferência e elegantemente, impedindo que o Crítico inicie a sua refeição.


Editado pela última vez por JL Lobo em Qua Jan 05, 2011 7:58 pm, num total de 1 vez
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Rick



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MensagemEnviada: Qua Jan 05, 2011 7:35 pm    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Um crítico que vai em trabalho não é um cliente normal.


Discordo. Qualquer que adentra o restaurante e paga pela refeição deve ser tratado como cliente. Até por isso os criticos mais serios se recusam a aceitar convites, pagam pelo serviço e, em alguns casos, escondem sua real identidade para não ter tratamento diferenciado.

Spice Girl escreveu:
Não tem um restaurante o direito de dizer que não quer que o crítico escreva sobre ele se não gosta / concorda com o estilo e padrões do crítico?


O direito de expressão e manifestação da idéia (pelo crítico) se sobrepõe a idéia de censura. O restaurante pode reclamar ou protestar sobre o resultado da crítica. Jamais censurar.

João Geirinhas escreveu:
Quem tem um restaurante aberto ao público, quem expõe numa galeria, quem escreve um romance, quem faz um discurso, sujeita-se naturalmente ao escrutínio de quem come, de quem vê, de quem lê ou de quem ouve. E se é normal que tenha o seu grupo de admiradores que o incensam por todo o lado, é natural que tenha também os seus críticos. A crítica livre, mesmo que eventualmente injusta, é um exercício indispensável em qualquer sociedade democrática que se preza.


Disse tudo.
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JL Lobo



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MensagemEnviada: Qua Jan 05, 2011 7:54 pm    Assunto: Responder com Citação

Rick escreveu:
Spice Girl escreveu:
Um crítico que vai em trabalho não é um cliente normal.


Discordo. Qualquer que adentra o restaurante e paga pela refeição deve ser tratado como cliente. Até por isso os criticos mais serios se recusam a aceitar convites, pagam pelo serviço e, em alguns casos, escondem sua real identidade para não ter tratamento diferenciado.

...


Disse tudo.


Se não o deixarem sentar à mesa, o Crítico não terá nada que pagar. Pela sua lógica, só por esse facto, não será um cliente.

E o João Geirinhas num "post" acima disse o mesmo que a Paulina. O JG disse: " ... nunca poderá probir ninguém de entrar, pagar e portar-se como um cliente ..."

Se alguém "se porta" como um cliente é porque, na realidade, não é cliente.

Por isso parece-me que a Paulina está certa ao afirmar: " ... Um crítico que vai em trabalho não é um cliente normal."

Se não o deixarem sentar à mesa e, por isso, nem sequer consumir, não será um cliente, porque não irá pagar. Se se "porta como um cliente", é porque não é cliente.

Mas mesmo que o seja, nunca será um cliente normal. Que foi o que a Paulina referiu.


Por alguma razão o dono do Restaurante tirou uma fotografia à Crítica. Certamente, para evitar que ela se venha a sentar noutros Restaurantes de colegas seus.

Mas isto sou eu a pensar, claro.
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Zé Carlos



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MensagemEnviada: Qua Jan 05, 2011 8:07 pm    Assunto: Re: Não entra, não come, não escreve... Responder com Citação

JL Lobo escreveu:
João Geirinhas escreveu:
... Já escrevi noutro lado que em Portugal esta atitude do restaurante em recusar a entrada de um cliente - critico ou não - não era de todo possivel e ainda bem. O restaurante pode não convidar o jornal ou o critico para uma apresentação à imprensa, por exemplo, - está no seu direito. Pode não permitir a visita aos bastidores, a tomada de fotos, o uso de qualquer regalia. Mas nunca poderá probir ninguém de entrar, pagar e portar-se como um cliente sob o pretexto de "possivelmente não vou gostar do você vai escrever".
Isto parece-me tão óbvio que até me custa que não seja concensual entre pessoas livres.




Olhe que não ... olhe que não!

Possível é ... poder proíbir, também pode. Pode é não ser legal nos dias de hoje.

Mas dizem que o famoso "reservado o direito à admissão" acabou porque, entre outras coisas e de acordo com algumas sumidades, viola a Constituição ao ir de encontro ao célebre "Princípio da Igualdade". Mas todos sabemos que interpretações de leis há milhares.

Mas esse mesmo Príncipio andava a ser ignorado pela Crítica em causa. Como muitos Jornalistas incautos ou menos sérios, ela devia achar-se Deus na Terra. E os Hoteleiros andavam-lhe com medo. Até aparecer este.

O Hoteleiro declara: "her rating system isn't consistent and some of her reviews are unnecessarily harsh, which unfairly punishes the staff. A number of people in this city have been fired because of bad reviews (not officially of course), many of which were completely irrational."


Ele lá saberá do que fala. E como a "casinha" é dele, ele não vai permitir que brinquem com "ela" e com o seu pessoal.

Parece-me certa a posição dele.

Quem não concordar com isto, em Portugal, dirige-se aos Tribunais a invocar o desrespeito pela Constituição. É mais fácil para o hoteleiro isso do que ter de ir ele a Tribunal, para exigir justificações ao Jornal ou Revista depois de o mal já estar feito.

E assim fica tudo legalmente resolvido. Se ele for condenado depois de o caso fazer todo o percurso ascendente até ao Tribunal Constitucional, isto é, passados 25 anos, ele assumirá, certamente, as suas responsabilidades. Se a 1.ª instância mandar o caso directamente para o Constitucional, mais rápida será resolvida a querela.

E aí, só aí, se saberá se ele podia ou não proíbir que servissem o Crítico. Porque ser possível, isso sê-lo-á sempre e com relativa facilidade. De preferência e elegantemente, impedindo que o Crítico inicie a sua refeição.


Tudo tem limites até a liberdade de disparatar. Em Portugal ainda existe polícia para fazer prevalecer a lei. Tenho vários telefones de esquadras gravados no telemóvel.

Já os chamei a um restaurante porque não me entregavam o livro de reclamações. Pagaria para ver qual seria o primeiro restaurante que se recusaria a me servir uma refeição.

Infelizmente quanto ás considerações jurídicas do post elas são um arrazoado de disparates.

NUNCA NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE nenhum crítico encerrou um restaurante ou levou-o a à falência.

Mas podia aqui fazer uma infindável lista de chefs que apesar de terem a panelinha com a imprensa levaram os seus restaurantes à falência ou encerraram-nos prematuramente deixando os credores "agarrados".

Em contrapartida poderia inumerar muitos casos em que o José Quitério contribuiu para o sucesso de certas casas.

Façam pois boa comida a preços sensatos e recebam bem as pessoas. Não se preocupem com os críticos. Gastem antes as vossas energias a tratar bem o paladar, o estômago e o ego clientes.

O resto vem por acréscimo.
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